domingo, 31 de março de 2013

Resenha - Mal Intencionados

Mãe e filho são vitimas das próprias emoções, que em momentos se confundem com amor, outros, com insegurança e obsessão. Depois de ser abandonada pelo marido, Ana protagoniza uma série de escândalos. Tomás ainda é uma criança, mas já sabe que a existência do pai é um obstáculo em sua vida que precisa ser eliminado. Ele padece de um amor descomunal por sua mãe, e quer se casar com ela... O que uma mulher vingativa é capaz de fazer quando é abandonada pelo marido? Pode uma criança ser inocente e vilã ao mesmo tempo? Um pederasta é presa da fé, do preconceito e do perigo de conviver com ele mesmo. Ambientado no Brasil, Mal intencionados despe as máscaras dos personagens, e deixa a loucura que habita em cada um deles, exposta. Um romance em tempos de violência. ... E você, qual máscara usa?



Eu quero minha mãe só pra mim

Mal Intencionados é um livro forte, perturbador e pode até causar arrepios. Claro que não pela escrita limpa e objetiva de Geyme Lechner, mas sim pelo tema proposto. Um filho que é apaixonado pela mãe, uma mãe que, quando muito nova, “atacara” o homem que amava até tê-lo sob seu domínio. Um pai que a gente não sabe se foge porque é vilão e covarde ou se apenas não aguentou mais aquela situação, abusos, pedofilia, preconceitos extremos...
Chega um momento no livro, onde a gente pensa que simplesmente não existe pessoas boas no mundo. Todos são egoístas, luxuriosos, gananciosos, pervertidos e – sim!!! – mal intencionados.


Tomás, nosso herói que é mais vilão que vítima. Um personagem assustador à primeira vista, um anticristo, alguém que tememos tanto e odiamos de tal maneira que nos fazer esquecer que ele é apenas uma criança. Quando o jogo vira, e ele se torna a vítima de fato, fiquei em dúvida entre sentir pena ou dizer um alto “bem feito”. Claro, o sentimento de “vingança” passa rápido e logo a compaixão aparece. Ninguém merece sofrer o que ele sofre, nenhuma criança, por mais terrível que ela tenha sido durante a infância.
Ana, nossa pobre mãe. Parece ser uma mulher tão fraca, tão feliz de ter um aquele filho com o homem que tanto ama, que tanto batalhou para conseguir. Quando a autora nos mostra seu passado, essa sua personalidade frágil é completamente desmascarada. E, céus! Ela era tão jovem! Ainda é.

Antônio, o pai que nos parece tão esforçado em amar aquele filho que apenas o repudia. Passei a odiá-lo quando ele se foi, deixando Ana com o fardo de criar Tomás, e por tudo que acontece aos dois depois de sua partida... Mas, se eu estivesse no lugar dele, também teria ido embora, para falar a verdade.
Esses são os primeiros personagens que nos são mostrados no livro, temo contar muito spoiler se falar de outros como Agnes, como as Marias, como *arrepios e ânsia de vômitos* Damião.

A escrita é, como falei, limpa, sem enfeites. O que tem que ser escrito, está ali, sem pudor algum, para nos mostrar quão real e cruel e sujo o mundo e as pessoas podem ser. A autora em nenhum momento quis embelezar a história com eufemismos e promessas de final feliz. O interessante foi ler tudo aquilo que a gente chega a ignorar no nosso dia-a-dia. A fome, a miséria, os vícios, os crimes, as perversidades. A gente se tranca no nosso mundinho encantado e esquece que o mundo não é daquele jeito para todos. Ótimo trabalho o da autora de nos dar esse tapa de realidade. Uma autora corajosa, ousada e que conseguiu cumprir com a promessa do livro que era de: todas as máscaras caem. Você iria tão baixo por algo que deseja? Quem quer sujar as mãos?

Em todo livro há aquela pequena coisinha que incomoda, que tranca a leitura, que nos faz querer desistir de continuar lendo... Em Mal Intencionados teve, é claro. E, na minha opinião, foi a parte sobre a Igreja Evangélica. Aquela parte do livro não parecia terminar nunca e, para falar a verdade, não vi nem razão – além de um preconceito da autora para com a religião – para ter no livro. Na verdade, toda vez que a autora citava religiões, havia um certo preconceito, como se todas elas fossem ruins ou quem tem fé é apenas um ovelha no meio de um rebanho do pastor. Certo, há corrupção, há roubalheira, há gente falsa brincando com a fé das pessoas, sim, há sim! Mas essas pessoas não têm culpa. Não podem ser tachadas como burras e ignorantes. Claro que a autora jamais usou essas palavras, mas estava ali – Quem é evangélico é cruel e ignorante. É o que está no livro. Quem é católico é pedófilo! Não sou religiosa, não sigo nenhuma religião, seita, grupo, nada, nada e fiquei ofendida! Imagina quem for católico, evangélico ou de qualquer outra religião? Pessoas que não seguirão com a leitura como eu segui. Pessoas que queimarão ao livro ofendidas. É difícil, sim, falar de assuntos polêmicos, e não sei dizer se a autora conseguiu ser imparcial enquanto o fazia. Uma pena, o livro seria muito melhor sem essa parte. Claro, também, que é apenas minha opinião.

Ignorando a parte da religião, Mal Intencionados é um livro denso, com um quê de Rubem Fonseca, onde você não sabe até o final para quem torcer, onde todos são vilões.
E, falando em final, acredito que foi o final perfeito. Ninguém mudou. O mundo continua sempre igual. Ninguém se arrepende e, no fim, todos somos um pouco Mal Intencionados.

Resenha por Marcia Luisa Bastilho

10 comentários:

Lia Christo disse...

Nossa! Choquei... O tema deste livro é bem forte e pesado. Não sei se terei coragem de ler. Além de não fazer o estilo de literatura que gosto, também não estou numa boa fase para este tipo de leitura. Resenha maravilhosa. Bjus
Lia Christo.
www.docesletras.com.br

Nizete disse...

Adorei sua resenha! Gostei da sinceridade, sua opinião é válida, é importante e é um alerta. O Livro realmente tem um tema bem pesado, e mesmo com citações das igrejas católicas e Evangélicas, que irão me contrariar, ainda assim estou curiosa pra ler.

Já havia me interessado por este livro, só não sabia do lado preconceituoso da qual referiu-se. Porém, certamente irei ler.
Parabéns pela resenha.
Bjokas
Ni
Cia do Leitor

Kelry Caroline disse...

Muito interessante, confesso que o livro me deu um pouco de medo. Estou anciosa para ler.

Jamilly Mayara disse...

Parabéns pela resenha. Adorei o livro, bem diferente de tudo que já li, pois envolve, romance e violência ao mesmo tempo. e é bem intenso.
Beijo :*

Vinicios Souza disse...

Super legal sua resenha! Livros bem intensos e fortes podem desagradas bastante na maioria das vezes, mas sabia que eu fiquei interessado? \o\o

Abraço!
Vini - Um Jovem Leitor

Eliane Quintella disse...

UAU! Super polêmico o livro! Gostei muito da resenha ! Meus parabéns! Você soube dizer muito bem suas impressões... Fiquei curiosa de saber mais sobre essa criança perturbada, tentador, realmente fiquei instigada a ler! bjs para vc

Natália Borges disse...

Nossa, deve ser muito tenso ler este livro. Quero poder fazê-lo em breve. Beijos.

Valentina Vasconcelos disse...

Adoro livros com esta temática. Resenha maravilhosa, meus parabéns.

Adriana disse...

Sua resenha ficou perfeita, direta e objetiva, assim como o livro né! Gosto de livros assim, perturbador, que interfere de alguma maneira na nossa vida, porque nos faz pensar, e até mudar de opinião sobre alguma coisa...fiquei impressionada como uma criança pode nos passar tanta maldade, afinal pra mim, criança é sinônimo pureza, ingenuidade, algo angelical! Preciso urgente dessa leitura, sua resenha, me deixou completamente ansiosa por esse livro! Parabéns!

Bernardo Côrtes disse...

a resenha ficou muito boa, fiquei com vontade de ler :)

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